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Eça de Queirós

domingo, 15 de janeiro de 2012

Ética, Moral e Maçonaria ou e que tal refundar a Carbonária?

Vivemos num mundo global, onde, infelizmente, o individualismo parece triunfar, cada vez mais e a cada dia que passa. São bem conhecidas as origens históricas da Maçonaria, o seu papel político, social ou libertário ao longo dos tempos. Esta não uma reflexão sobre a sua história. Na verdade, a Maçonaria, tal como qualquer outro discurso religioso, responde a uma necessidade de aperfeiçoamento espiritual do ser humano. 
De facto, devo esclarecer que quando fundei este blogue me inspirei no nome da loja maçónica "A Revolta", à qual pertenceu Joaquim de Carvalho, o "professor de Coimbra", cuja solidez intelectual, ética e moral foi inabalável.  Não sou maçon, não sei se o quero ser, devido à minha costela anarquista. Por outro lado, tal como Agostinho da Silva, preferiria o exílio, a ter de assinar qualquer documento que me impeça ideologicamente, no futuro, aderir seja à Maçonaria, seja ao Komitern, seja a uma hipotética V Internacional, como o Estado Novo obrigou a muita gente a fazer.
Todo este "escândalo das secretas" revela os poderes que se movem na sombra e, hoje, minam a nossa democracia. Se nos atiraram areia para os olhos com as "maldades" da Maçonaria, porque não fazem as verdadeiras questões? Necessita um estado democrático de um (ou vários) "serviços de espionagem"? Serviço esses, cujos operacionais podem tentar "controlar os gajos que escrevem",  ou espiolhar as conversas de qualquer cidadão com vasto poder discricionário? Bem sabemos, que os "nossos SIS foram" treinados pela CIA e pela SAPO (serviços de informação suecos) no idos do pós-PREC. Contudo, a discussão sobre a sua necessidade sobrevive. Na sociedade da informação fará algum sentido o Estado querer controla-lá? Fará sentido o Estado gastar dinheiro a manter segredos? Segredos tais que no fundo não são segredos nenhum e protegem teias de compadrio? No fundo é uma questão de ética e de moral. Aliás, já se diz "quem não deve, não teme"!
Ser maçon, não é "pecado" nenhum bem o sabemos. Já ser "espião" parece-me uma profissão pouco louvável nos dias que correm.
Chegamos então ao cerne desta crónica. Houve, em tempos, uma sociedade secreta, de cariz revolucionário, dedicada à liberdade e ao bem do povo. Por isso pergunto à nossa gente e que tal refundarmos a Carbonária?

JRN
jmrnoras@gmail.com

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