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Eça de Queirós

quinta-feira, 22 de março de 2012

Festas de São José: resposta ao Sr. Presidente Moita Flores

Senhor Presidente,

Estimado Professor Francisco Moita Flores,

 Peço-lhe algum critério de justiça nas suas palavras. Sempre fui às Festas de São José, sempre defendi publicamente, dentro e fora do partido onde milito, a necessidade da Festa na Cidade. Tal como o senhor o fez, passando (e bem) das palavras às concretizações. Nunca me ouviu criticar a Festa ou, de algum modo, menosprezá-la. Só por uma vez - aliás, deixando bem claro que tal não constituía a minha posição política, nem pessoal -  numa intervenção minha, em sede de Assembleia Municipal, expressei e reproduzi queixas que vários munícipes fizeram chegar ao Senhor Presidente, aos Deputados Municipais e à comunicação social em geral, reiteradamente sobre uma festividade, à qual aliás fui no primeiro dia, no Jardim da Liberdade.  Referi tais queixas porque é meu dever fazer chegar preocupações de quem represento a tal Assembleia e, também, com intuito de melhorar eventuais realizações futuras, que evitassem esses tão comuns "queixumes de vizinhos" acerca da penúltima ou da última festa no Jardim da Liberdade, vulgo Av. General Sá da Bandeira. E, volto a repetir, apenas o fiz porque os vizinhos se queixavam de não terem sido avisados da realização de tal festa, situação pouco educada, nas raias da indecência. Creio que tudo foi esclarecido nesse episódio recente da saga: "A Festa e a Cidade".
 Outras festas que critiquei, critico e criticarei, foram as da sua "guerra pessoal, política e, atávicamente, nostálgica" com o CNEMA. Prejudicando e concorrendo com a Feira Nacional de Agricultura/Feira do Ribatejo (FNA/FR), jogou com as emoções e com a nostalgia da população, quando bem sabemos que no espaço do CNEMA está o futuro e o progresso da identidade e da nossa tradição ribatejana. Em boa hora, o Sr. Presidente fez as pazes com o CNEMA e ainda espero ver por lá cavalos a correr, até porque também gosto de jogo e aposto consigo um almoço em como tão cedo não veremos esse projeto nascer. (Não se esqueça que ainda me deve um café no Central!)

 Vivi cerca um terço da minha existência como pessoa, em Coimbra, cidade que bem conhece. Cidade onde a população e todos os cidadãos de corpo inteiro reconhecem a necessidade de ofertas lúdicas para a comunidade estudantil, para os turistas, para os concidadãos, no sentido do estímulo da economia local, no sentido da própria vivência do que é ser cidade. Creio que neste momento Santarém, se as "forças vivas" souberem aproveitar a proximidade de Lisboa como oportunidade, fazendo uso das excelentes acessibilidades rodoviárias e ferroviárias, terá condições para concorrer com a "Noite da Capital". Sobretudo, numa lógica de economia de escala, conjuntamente, com Almeirim e com o Cartaxo, no sentido da alternativa ao rebuliço de Lisboa e arredores. Já por várias vezes, na imprensa, em vários locais públicos, em reuniões partidárias, em conversas de café, elogiei as iniciativas lúdicas e, até, as culturais da autarquia cujos destinos lidera. Em boa verdade, em muitas dessas ocasiões, inclusivamente, tive oportunidade de colaborar e de assistir a tais eventos.
 Peço-lhe: não confunda a árvore com a floresta. O PS/Santarém é uma realidade dinâmica feita de pessoas para pessoas e não uma realidade sisuda de dirigentes arcaicos que não gostam de festa, como nos querem pintar. Apenas defendo e sempre sustentarei, que a Festa, qualquer que seja não deve, se possível (e é possível que o não faça, como o seu texto demonstra, aliás) onerar  o município. Parabéns pela independência financeira das Festas de São José! Este trabalho muito honra o nosso amigo comum, Dr. Vítor Gaspar de saudosa memória, tragicamente desaparecido, com quem várias vezes conversei sobre esta questão da Festa e da Cidade. Digo-lhe ainda que tive a oportunidade de cumprimentar pessoalmente o Sr. Presidente, quando promovi um jantar convívio da JS/Santarém, justamente nas Festas de São José em 2010, enquanto coordenava tal estrutura de jovens socialistas do concelho. Por isso, lhe apelo à sensatez que o caracteriza, não confunda algumas árvores com a floresta. Nem ligue à maledicência do boato dos que querem dividir para reinar. Não sou adepto da "politiquice", nem do "bota-abaixismo", nem do "ser contra tudo crónico", como penso que me reconhece. Apenas não fui a uma edição das Festas de São José, desde há muito tempo, justamente a de 2012, tinha compromissos prévios com o ENEH, em Évora.
  A Festa é da cidade e pertence ao povo e a sua realização no "novo" Campo da Feira (porque, como bem saberá, o original Campo da Feira ficava exactamente onde hoje se localiza o Jardim da Liberdade) foi sem dúvida bem-vinda e reforçou laços entre cidadãos e cidade. Pena terem-se perdido os tradicionais concertos no coreto do Jardim da República, que tanto apreciava em criança, quem sabe que possam regressar. Digo-lhe isto sem pejo de ironia, sem nostalgia alguma, de forma honesta. Creio sinceramente que o modelo erudito das Festas da Cidade dos anos 80/90 poderá, perfeitamente, complementar outro tipo de manifestações, como aliás a edilidade já tem tentado fazer. Não confunda a cidade que encontrou, com o que a cidade foi, muitas vezes é mais fácil destruir do criar, se bem me entende.
 Já agora, sugiro-lhe, e porque não uma "rave" no Convento de São Francisco? Tal como chegou a acontecer em 1993 (ou 1994) durante um fim-de-semana? Também nessa altura choveram críticas contra a festa, vindas do partido que representa, das "beatas do costume", dos "fanáticos do património" e de todos a quem a inovação causa estranheza. Seja mais justo nas suas palavras.

 Votos de salutar recuperação. Bem-haja Sr. Presidente, cordialmente,

José Raimundo Noras

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