Nós queremos a revolução feita serenamente no domínio das ideias e da ciência, primeiro - depois pela influência duma opinião esclarecida e inteligente.
Eça de Queirós

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Um aviso bem a propósito....

«(...) Divirtam-se com mulheres, se gostam de mulheres; divirtam-se de outra maneira, se preferem outra. Tudo está certo, porque não passa do corpo de quem se diverte.
Mas quanto ao resto calem-se. Calem-se o mais silenciosamente possível. (...)»

Álvaro de Campo, Aviso por causa da Moral, 1923

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

25 de Novembro, a incógnita




Este ano continuei as minhas divagações literárias para tentar compreender o presente episódio.

Ou eu sou muito burro, ou então tenho razão. Muita coisa continua por explicar. Desde MDLPs, Marias da Fonte, Cónegos Melos e seus assassinatos nortenhos, bombas de plástico,constituintes viradas a norte, comunas de LX, fantoches de Kissinger, Carluchis de papel, autênticas marionetas humanizadas cujo raciocínio falacioso paira ainda do ar: Soares (nunca mais eu chego ao Porto), Otelos (los Ches europeus), Melo Antunes (eu, na televisão me confesso), Cunhais e outros que tais (vermelhos pois claro, aqueles que, supostamente, ficariam a chefiar politeburramente, a comuna de LX), Spinolas e os futuros aprendizes de bombistas feiticeiros, Eanes e a acção (ou reacção?) , Jaimes Neves de la banda los 31 marialvas, Vascos Lourenços e os desencantados, Alpoins Calvões e amiguinhos petazetas (uma bombinha, duas bombinhas, três bombinhas tenho na mão), Isabéis do Carmo (hai as brigadas, as brigadas, que metem dó), Freitinhas de Amarais e a candura direitola papista, e Sás Carneirões que, mais tarde, aprenderam a voar (terá sido por culpa de alguns que aqui mencionei?)e já agora, e o povo, pá? que chatice... Sempre o povo pá!

Quem tem coragem de explicar a verdade?

Ouve aqui alguém que se enganou.Ou então alguém pretende que continuemos enganados.
Da minha parte, nem para um lado, nem para o outro.
Continuarei caminhando... procurando...

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Aeminium... Aeminium

Emínio
Segue o caminho do teu destino
Arranca, das raízes do teu sonho,
A flor mais nobre e mais perfeita
A rosa mais solene
Para as mãos de Tiríntio e de Pirene


Por ti chama a saudade portuguesa!

Oh Cidade Beleza!

Aeminium Libertada, Campos de Figueiredo, em pleno Estado Novo

Oh meus amigos zzz [como diria Diácono Remédios (se bem que este gostaria de certeza do poema acima transcrito)] não havia necessidade...Embora seja ridículo o que postei aqui, penso que, de algum modo, este poema espelha a virgindade comezinha e retrógrada do pensamento típico coimbrão... saudade, fado, beleza, cidade portuguesa, estudantes, capas negras, guitarradas, etc., etc., etc.

Como diria a minha avó:

- Hai povo enganado!!! (com sotaque xavelha... pois claro!!!)

A verdade:

A verdade é um erro à espera de vez (Virgílio Ferreira)

Eu sei Virgílio eu sei... Ok. A minha verdade:

Cidadelazinha, corrupta, só vivem os nomes sonantes (desconfiem sempre de alguém que seja de Coimbra com mais de três sobrenome no nome completo) e os outros sobrevivem..., com muita merda... muita (perdão) e já agora, que a maré está alta (a Figueira da Foz também não escapa...)passo-vos a enumerar:

A Associação Académica [qualquer dia vou a uma Magna apresentar uma moção propondo a extinção definitiva desse pseudo-poleiro de piriquitos aspirantes a políticos... todos com o tesão do mijo (ups! peço perdão pela linguagem obscena)].

A Câmara Municipal e seus apêndices que mandam ou pensam que mandam (talvez neles próprios e nos seus joguinhos de intriga palaciana).

A Universidade portuguesa instalada em Coimbra no tempo de D. João III (com professores com mais de 500 anos, cheiram a mofo e a naftalina, principalmente nos seus rituais doutorais. Há, na verdade, poucos bons professores. Eu sei... Há honrosas excepções). Vou contar uma história que não vem em muitos manuais... Existiu uma universidade fundada em Coimbra no século XV pelo regente Infante D. Pedro. Fechou as portas depois da Batalha de Alfarrobeira. Essa sim... podemos considerar A Universidade de Coimbra, não a que temos agora que é a de Lisboa em Coimbra...

A Igreja (que mitra!) e os seus doutrinadores pequeninos (sem falar no SPES... esses eu não aturo... ignoro).


A única coisa que tem de bom este poemazinho foi a música que se arranjou para o cantar... É parte integrante de uma ópera muito interessante (do meu ponto de vista... claro!!!) intitulada Auto de Coimbra musicada por Manuel Faria, um erudito (e era padre) de um ecletismo formidável, digno de um Lopes Graça, possuidor de uma escrita interessante, com o recurso ao paralelismo e à dissonância, até mesmo à total e completa atonalidade. Este belo exemplar de escrita musical feito no nosso país foi encomendado ao compositor em 1963, pela Câmara Municipal de Coimbra, e ficou pronta no ano seguinte. Foram necessários quarenta anos para que as suas excelentíssimas dignidades da gestão camarária conimbrisense (ou coimbrinha?!) dessem o dinheirinho para que se pudesse representar pela primeira vez tão formosa peça, que eu tive a honra de cantar no Choral Aeminium.

Pois, eu sei, não era propriamente as canções de Rui Coelho e seus pares, tão afamados no glorioso São Carlos (não era, por ventura, no Parque Mayer?)dessa época...

O único defeito que tem são dois últimos versos transcritos em cima... um borrão ligeiro numa partitura admirável. Por esses dois versinhos escrevi esta trapalhada...

- A neurose faz mal às orelhas!
- Aos ouvidos de quem, c***lho?!
(ouvido de relance nos interstícios da FLUC)

Morra Aeminium... renasce das cinzas!!!

sábado, 16 de maio de 2009

Fanatismos sem "camisinha"

            Aqui fica uma mensagem muito rápida, antes que arranje tempo para por "A Revolta" em dia.
            Hoje ao folhear o "I" - novo jornal de que aliás gostei bastante, ao contrário da generalidade das opiniões que me chegaram - descobri, sem surpresa, o conservadorismo atávico dos que se opõem à distribuição de preservativos nas escolas.
            Ainda há dias, podemos ouvir declarações ignorantes, e, além disso, perigosas pelas consequências que podem ter, de altos dignitários católicos. Agora, o Partido Popular (PP) na defesa sabe-se lá de que moral bacoca e hipócrita, vem apelar ao voto contra, na Assembleia da República, das medidas legislativas que permitam a distribuição gratuita de preservativos, no quadro da Educação Sexual nas escolas.  
            A meu ver, trata-se de uma atitude incompreensível nos dias de hoje. É evidente, a qualquer entidade dotada de inteligência, que a consciencialização para atitudes sexuais seguras de quem inicia, ou a breve trecho vai iniciar, uma vida sexual activa é fundamental. O preservativo constitui o meio mais seguro que se conhece de prevenção de DST's, aliás negar esta evidência é criminoso!
            Considero, que estas atitudes da Igreja e da direita conservadora devem ser constantemente denunciadas, até pela falta de ética cidadã que constituem. Ontem, como hoje, este tipo de manifestações retrógradas de conservadorismo e ignorância crapulosa: não passarão! De facto é nosso futuro como humanidade que está em causa e não qualquer outra coisa. 

sexta-feira, 17 de abril de 2009

17 de Abril e agora?

Fez hoje 40 anos que os estudantes portugueses enfrentaram a ditadura. Pedindo a palavra numa cerimónia pública, Alberto Martins (então presidente da AAC), e através deste a Academia, questionavam o modelo de universidade do Estado Novo, bem como o próprio regime. A quebra de protocolo, que a 17 de Abril de 1969 precipitou o desencadear da maior crise académica das últimas décadas, foi sintomática do poder que os estudantes possuem no sentido da mudança social.
Após quatro décadas, não nos parece que, tanto a Academia, como a própria Universidade mantenham a capacidade de intervenção social de outrora. Na realidade, se assistimos recentemente à perda de autonomia da parte das Instituições de Ensino Superior, ao mesmo tempo aposta política no desenvolvimento de uma rede nacional de Universidades e Politécnicos não tem sido equilibrada. Para além da inexistência qualquer planeamento geográfico de médio ou longo prazo — aquando do surto de abertura de novas Universidades no após 25 de Abril — as necessidades de financiamento do sistema continuam assentes em falsos pressupostos. De facto, o financiamento da educação continua, numa lógica contrária aos princípios do nosso Estado Social, a onerar as famílias, no contexto da formação académica dos indivíduos, atrasando a emancipação completa dos jovens, quase sempre para depois dos 30 anos de idade. Hoje, em Portugal, o desafio da Universidade passa pela clara acepção que nosso modelo de financiamento e de gestão das instituições deve mudar. O futuro passa por um financiamento directo aos estudantes, correlacionado com o seu sucesso escolar — à semelhança dos modelos do norte da Europa. Por outro lado, perante um sem número de ameaças externas, a Universidade deverá sempre protestar sua autonomia institucional e política, sob pena de se transformar noutra coisa qualquer que já não Universidade. Aliás como sustentava Joaquim de Carvalho: Converter as Universidade em organismos políticos, no correntio e jornalístico sentido da palavra, sôbre ser uma monstruosidade pedagógica, é um crime nacional e um atentado à razão. Sob essa aparência de convergência de opiniões esconder-se-há o cancro que corroerá a cultura (…).
Por fim, lembrar esse outro 17 de Abril será sempre também um repto a nós próprios, como estudantes e como cidadãos. Os algozes deste tempo não tem o rosto da ditadura, escondem-se sob lógicas economicistas do passado, que impem a construção de uma sociedade mais justa e solidária, mais livre. Sendo que o nosso principal adversário, será sem dúvida a indiferença e comodismo de toda uma geração, a qual ainda não tomou consciência de que o futuro lhe pertence, afastando-se da intervenção pública e da acção política. A nossa palavra, como no passado, pode fazer a diferença, a nossa acção sem dúvida será essencial nos desafios que enfrentamos, como sociedade. Aos meus colegas de geração, por assim dizer, fica o aviso, que há dias ouvi de um amigo ou a gente toma conta da política, ou mais cedo ou mais tarde a política toma conta de nós.
© José Raimundo Noras