Nós queremos a revolução feita serenamente no domínio das ideias e da ciência, primeiro - depois pela influência duma opinião esclarecida e inteligente.
Eça de Queirós

sábado, 30 de janeiro de 2016

Dia de Reflexão

A facilidade com que as pessoas desprovidas de bom senso opinam sobre a história ou sobre ciência em geral, sem conhecimentos básicos ou sentido crítico, faz-me que pensar na parábola do petiz que julgava nascerem as alfaces no supermercado ou que a carne era originária do esferovite de plástico que a envolvia. A ciência, a cultura, o conhecimento exigem curiosidade, mente aberta, espírito crítico, cepticismo, trabalho, mas também algum grau de coerência. Para quando poderemos comunicar sem preconceitos nem dogmatismos primários? Para quando falarmos uns com os outros sem olhos no sexo, nos credos, na cor, na idade, na profissão, na conta bancária, na formação académica (suposta ou labutada com suor), na ideologia, nos ancestrais, na forma vestir? Para quando sermos humanos sem deixarmos de ser animais no bom sentido dos instintos de protecção e até de defesa interespécie? O planeta durará muito mais do que nós. A vida continuará depois de nós. Proteger o planeta é uma falácia nos termos. Temos de nos salvar a nós e à dimensão humana da existência, que ainda merece a pena.... Merecerá? Se não o fizermos já, agora, neste século XXI, como Sidónio Muralha escreveu "a vida adoptará outro invólucro". Somos, já o anunciaram poetas "um bicho de terra tão pequeno"! Com noção sincera da nossa pequenez, podemos sonhar e construir por nossas mãos o que sabemos ser correcto: seja "a terra sem amos", seja "o sonho americano", seja o compromisso entre visões diferentes de progresso. Temos apenas e só de parar. Parar com olhos de ver e mãos de sentir. O petróleo vai terminar ou nós antes dele. Parar e pensar. Pensar e reflectir nas verdades simples: sem árvores não existimos. Pode parecer idiota, porém, infelizmente, as árvores que duram há séculos e têm memória (muito provavelmente não de um ponto de vista fisiológico, mas certamente filosófico) não votam, votemos nós também por elas e por todos os outros que de nós dependem. Boas reflexões. Sem ideologia, laico e agnóstico aceitem este repto de: até de manhã camaradas (valete frates)!