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Eça de Queirós

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

A propósito da autonomia universitária

Neste primeira entrada de um blogue que procura a polémica e olivre pensamento sobre temas estruturantes da nossa sociedade, não vou renovar velhos argumentos contra o novo regime jurídico para as instituições de ensino superior. Sobre esse documento legal, que considero ter assinalado o fim da autonomia da Universidade portuguesa, deixo para a reflexão de todos as palavras do "professor de Coimbra", Joaquim de Carvalho, escritas noutras circunstâncias, mas que em meu entender muito se adequam ao momento actual:

«Converter as Universidade em organismos políticos, no correntio e jornalístico sentido da palavra, sôbre ser uma monstruosidade pedagógica, é um crime nacional e um atentado à razão. Sob essa aparência de convergência de opiniões esconder-se-há o cancro que corroerá a cultura. Que a república se defenda, é justo; mas quando essa defesa vicia a atmosfera serena da cultura, estrangulando ou cilindrando o espírito, que é independência e liberdade, é abominável, tanto ou mais do que roubar a vida."

(Joaquim de Carvalho, in A minha resposta ao último considerando do decreto que desanexou a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, p. 15, Coimbra, 1919)